Para o indivíduo moderno, o que se passou hoje num cinema da cidade de Aurora, perto de Denver, Colorado, nos Estados Unidos, é um absurdo. Para mim, que não me considero moderno, e provavelmente posso ser considerado um selvagem actual por muitos modernos, o que se passou nessa cidade americana — em que um jovem de 24 anos, bom aluno e sem incidentes criminais no seu passado, matou aleatoriamente 12 pessoas e feriu mais de 50 outras — foi diabólico.
O jovem assassino, que eu saiba, não tinha motivações políticas. Este caso é diferente do caso do norueguês Anders Behring Breivik, que teve motivações políticas. Mas não tenho dúvidas nenhumas que, em ambos os casos, houve a intervenção do maligno.
O homem moderno fica sem palavras e sem explicações perante aquilo a que considera "absurdo", porque ele próprio faz parte do absurdo em que vive, e alimenta-o. Como escreveu Goya, “o sonho da razão cria monstros”.
O homem moderno é o sonho da razão racionalista que se alimenta a si próprio. O sonho da razão céptica é a causa da emergência impositiva do maligno na sociedade moderna, porque o cepticismo racionalista e embotado espiritualmente, ignora ostensivamente, cada vez mais, a existência do mal e do maligno. O homem moderno julga pelas aparências e não consegue intuir a realidade.
A suprema ignorância do homem moderno e embotado consiste na crença da existência do acaso e do absurdo, e duvidando da existência do diabólico.